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Acquaí Park pode mudar o patamar do turismo de João Pessoa

Acquaí Park pode mudar o patamar do turismo de João Pessoa

João Pessoa vive um dos momentos mais importantes de sua história turística. O crescimento da hotelaria, a expansão dos imóveis destinados à hospedagem por temporada, a consolidação gastronômica da cidade e os investimentos no Polo Turístico Cabo Branco já apontavam para uma transformação. A chegada do Acquaí Park, porém, acrescenta um elemento diferente a essa equação: uma atração capaz, por si só, de influenciar a escolha do destino.

Essa mudança acompanha uma tendência nacional destacada pela revista VEJA, na reportagem “O negócio das águas: o que explica o sucesso dos parques aquáticos no Brasil”, publicada na edição de 4 de setembro de 2026. Segundo dados citados pela publicação, 28,6% dos investimentos em novos projetos de entretenimento no Brasil estão concentrados em parques aquáticos. São R$ 7,1 bilhões aplicados em 70 novos projetos, dos quais vinte são aquáticos.

O que está acontecendo não é simplesmente uma multiplicação de piscinas e toboáguas. O modelo mudou.

A própria VEJA resume a transformação: parques aquáticos estão se convertendo em destinos de férias, combinando atrações, hospedagem, gastronomia e entretenimento e criando experiências capazes de atender simultaneamente crianças, adolescentes, pais e avós.

É exatamente nesse contexto que João Pessoa recebe o Acquaí.

O grande diferencial: o Acquaí está dentro de João Pessoa

Aqui está talvez a maior vantagem estratégica do projeto.

Quando se fala em parque aquático no Nordeste, é inevitável lembrar do Beach Park, um dos maiores cases do turismo brasileiro. O empreendimento cearense ajudou a transformar Porto das Dunas em um destino turístico de reconhecimento nacional e criou ao seu redor resorts, restaurantes, serviços e uma verdadeira economia turística.

Mas existe uma diferença geográfica relevante.

O Beach Park está localizado em Aquiraz, município vizinho a Fortaleza. O próprio empreendimento informa que fica aproximadamente 20 a 25 quilômetros da capital cearense, dependendo do ponto de partida.

O Acquaí, ao contrário, está dentro do município de João Pessoa, no Polo Turístico Cabo Branco.

Isso parece apenas um detalhe, mas não é.

Para o turista, significa que praia, gastronomia, Centro Histórico, orla, hotéis, flats, Centro de Convenções e um grande parque aquático passam a fazer parte de um mesmo destino urbano. O visitante não precisa escolher entre “ir para João Pessoa” ou “ir para o parque”. O parque passa a ser João Pessoa. Essa integração pode representar uma vantagem extraordinária para o posicionamento turístico da capital paraibana.

De cidade de praia para destino de experiências

Durante décadas, o principal produto turístico de João Pessoa esteve associado às praias e à tranquilidade da cidade.

Isso continuará sendo uma vantagem competitiva — mas destinos turísticos fortes raramente dependem de um único atributo.

O Acquaí adiciona algo fundamental: entretenimento estruturado para famílias.

Segundo o próprio empreendimento, o projeto prevê mais de 100 mil m² de atrações aquáticas, incluindo piscina de ondas com cerca de 3.900 m² de lâmina d'água, rio lento, áreas Baby & Kids, atrações radicais, beach club, lojas, gastronomia e espaços para eventos. O complexo está ainda integrado ao projeto de um resort com 610 apartamentos.

A CINEP informa que o parque terá capacidade estimada para 7.700 visitantes simultaneamente e meta de chegar a 1 milhão de visitantes por ano.

Se essa projeção se aproximar da realidade, seu efeito extrapola completamente os portões do empreendimento.

Um milhão de visitantes não consome apenas ingressos.

Consome hospedagem, alimentação, transporte, combustível, passeios, comércio, serviços e experiências.

O efeito mais importante pode acontecer fora do parque

É justamente aqui que o impacto sobre João Pessoa pode ser maior.

Imagine uma família que atualmente programa quatro dias na cidade.

Com uma atração dessa dimensão, existe um argumento concreto para permanecer cinco dias. Outra família pode decidir viajar para João Pessoa justamente porque, além das praias, encontrará um grande parque aquático para as crianças.

Essa diferença de uma diária adicional é extremamente relevante para a economia turística.

Ela movimenta hotéis e pousadas, mas também apartamentos por temporada, flats, bares, restaurantes, cafeterias, aplicativos de transporte, locadoras de veículos, supermercados, passeios turísticos e comércio.

Por isso, o impacto econômico de uma atração turística não deve ser medido apenas pelo faturamento dentro dela.

É preciso observar o dinheiro que circula ao redor dela.

O que o Beach Park ensinou ao Nordeste

O Beach Park talvez seja o exemplo mais conhecido dessa lógica.

Ele deixou de ser simplesmente um parque aquático para se transformar em um destino turístico, com parque, resorts, gastronomia, áreas comerciais e outras atrações. É um empreendimento construído ao longo de décadas e uma marca que alcançou reconhecimento nacional.

A própria VEJA mostra que o Beach Park continua investindo para renovar sua capacidade de atração. Entre as novidades recentes está o Surreal, apresentado pelo empreendimento como a montanha-russa aquática mais alta do mundo, reconhecida pelo Guinness World Records.

Seria prematuro dizer que o Acquaí será “o novo Beach Park”. Marca, reputação, operação e recorrência turística são construídas durante anos.

Mas é perfeitamente razoável dizer que João Pessoa passa a possuir um equipamento com potencial para produzir um efeito semelhante de indução turística.

E com uma diferença importante: enquanto o Beach Park criou um destino turístico em Aquiraz próximo a Fortaleza, o Acquaí nasce integrado territorialmente à própria João Pessoa.

Um aliado contra a sazonalidade

Existe outro ponto citado na reportagem da VEJA que merece atenção.

Suerlan Santos, COO do Acquaí Park, explica à revista que modelos baseados em passaportes de acesso prolongado aumentam a fidelização, melhoram a previsibilidade de receitas e ajudam a reduzir os efeitos da sazonalidade.

Para João Pessoa, isso é particularmente interessante.

Um parque dessa natureza não depende exclusivamente das férias de janeiro.

Finais de semana, feriados, excursões regionais, viagens de famílias, eventos corporativos e consumidores residentes em outras cidades da Paraíba e dos estados vizinhos podem gerar demanda durante vários períodos do ano.

Nesse aspecto, João Pessoa também possui uma vantagem geográfica: o parque está inserido no mesmo Polo Turístico onde funciona o Centro de Convenções.

Isso cria possibilidades interessantes.

Uma pessoa pode participar de um congresso enquanto sua família utiliza equipamentos de lazer da região. Um evento pode gerar extensões de estadia. Congressistas podem permanecer mais um dia na cidade. Organizadores podem incorporar atividades turísticas aos eventos.

Turismo de lazer e turismo de negócios começam a se complementar.

Acquaí não chega sozinho

Também seria um erro analisar o parque isoladamente.

O Acquaí integra o Polo Turístico Cabo Branco, apontado pelo Ministério do Turismo como o maior complexo turístico planejado em execução no Brasil. O projeto reúne resorts, hotéis, parques, comércio, serviços e o Centro de Convenções de João Pessoa.

Portanto, o verdadeiro impacto poderá surgir da soma:

Acquaí + novos resorts + Centro de Convenções + praias + gastronomia + orla de João Pessoa + Litoral Sul.

Essa combinação muda a lógica do destino.

João Pessoa deixa progressivamente de ser apenas uma cidade onde o turista vem conhecer belas praias e passa a oferecer motivos para ficar mais tempo e retornar.

E aumentar a permanência média é uma das formas mais eficientes de aumentar a receita do turismo sem necessariamente precisar multiplicar proporcionalmente o número de visitantes.

Um milhão de visitantes pode mudar a dinâmica da cidade

Naturalmente, projeções precisam ser tratadas como projeções. A meta divulgada para o Acquaí é de chegar a aproximadamente um milhão de visitantes anuais, e somente a operação permitirá saber qual será o fluxo efetivo.

Mas a ordem de grandeza já permite entender a oportunidade.

Se uma parcela relevante desses visitantes vier de outros estados, teremos centenas de milhares de potenciais consumidores de hospedagem.

Se parte deles acrescentar apenas uma noite à viagem, o impacto será sentido diretamente pela hotelaria e pelo mercado de locação por temporada.

E haverá ainda um segundo efeito: marketing espontâneo do destino.

Parques aquáticos são extremamente fotogênicos e geradores de conteúdo. Toboáguas, piscinas de ondas e grandes atrações aparecem continuamente no Instagram, TikTok e YouTube.

Cada visitante torna-se potencialmente um divulgador de João Pessoa.

João Pessoa ganha um motivo para a criança escolher a viagem

Existe ainda um aspecto pouco discutido quando se analisa turismo familiar.

Muitas vezes são os adultos que escolhem o destino, mas as crianças influenciam decisivamente essa escolha.

Praia, gastronomia e tranquilidade podem convencer os pais.

Um grande parque aquático convence os filhos.

E quando um destino consegue agradar simultaneamente às diferentes gerações de uma família, sua competitividade aumenta muito. A reportagem da VEJA chama atenção justamente para essa característica dos parques aquáticos: poucos programas de lazer conseguem reunir em um mesmo espaço crianças pequenas, adolescentes e adultos com interesses tão diferentes.

Talvez estejamos diante de um divisor de águas

João Pessoa já vinha crescendo antes do Acquaí.

Portanto, seria incorreto atribuir ao parque sozinho a transformação turística que está ocorrendo na cidade.

Mas grandes destinos costumam possuir equipamentos âncora — atrações suficientemente fortes para entrar na decisão de viagem.

Orlando tem seus parques. Gramado construiu uma enorme indústria de atrações. Foz do Iguaçu tem as Cataratas e desenvolveu diversos equipamentos complementares. Aquiraz construiu parte de sua identidade turística ao redor do Beach Park.

João Pessoa começa agora a reunir os ingredientes para algo semelhante, preservadas naturalmente as proporções e características de cada destino.

O Acquaí pode se tornar uma dessas âncoras.

E talvez sua maior força não esteja apenas no tamanho das piscinas ou na altura dos toboáguas.

Está no endereço.

O Acquaí não fica próximo de João Pessoa.

O Acquaí fica em João Pessoa.

Essa diferença pode parecer pequena no mapa, mas poderá ser enorme para o futuro do turismo da capital paraibana.

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